25/01/2008

Aids: um vírus e muitas mortes.

Um dos fatos mais tristes e trágicos que presenciei nas últimas décadas foi o surgimento da Aids. Sem dúvida, ela veio para aterrorizar e iniciou uma nova fase na história da humanidade.
Lembro claramente, em 1989, que a morte de Lauro Corona me surpreeendeu. Um ator jovem e bonito, não teve muito tempo para brilhar. Até então pouco se sabia sobre a doença. O pior de tudo foi acreditar que ela afetava somente o grupo de risco, homossexuais e usuários de drogas que compartilhavam seringas. Até foi assim durante um breve período. Mas ela se espalhou e se espalhou igual a uma peste. Mulheres contaminadas pelos próprios maridos, heterossexuais, crianças, transfusões de sangue contaminando pacientes. Eu realmente achei tudo isso assustador. Parecia que a Aids nunca seria controlada. O medo era constante, pois cada confirmação de soro positivo era uma sentença de morte.
Hoje, apesar de sabermos exatamente como evitá-la e mesmo existindo medicamentes capazes de prolongar a vida dos doentes, nada apaga a lembrança dos muitos que se foram, nem diminui a tristeza pelos muitos contaminados, muito menos reduz o medo de adquiri-la.
E
u não me convenço com acasos ou fatalidades. Acredito que tudo que acontece, é porque tem que acontecer. E, sinceramente, não condeno quem pratica sexo liberal. Mas de certa forma a Aids veio para colocar um freio na situação. Veio para fazer pensar, para racionalizar um instinto irracional e conduzi-lo a uma forma sadia e responsável de ter prazer.
Espero que um dia tenhamos a boa notícia de que uma vacina foi desenvolvida para controlar definitivamente este monstro. Mas por hora, o que vale é usar a cabeça e se prevenir. E, acima de tudo, respeitar e tratar com dignidade as pessoas que infelizmente se contaminaram.
(Nas fotos: Lauro Corona, Cazuza, Freddie Mercury e Rock Hudson, levados pela Aids).

23/01/2008

A Fotografia nossa herança

Meu avô paterno era fotógrafo profissional. Na casa onde morávamos, ele construiu um estúdio com um grande fundo infinito e um laboratório, onde revelava seus filmes. Assim, durante muitos anos, acompanhei bem de perto o trabalho que ele realizava. Um de seus melhores clientes era a Avon. Sabe os catálogos que as consultoras utilizam para vender os produtos? Pois era o que ele fazia. Mas como estamos falando de outra época, as fotografias destes catálogos eram bem artesanais, com cenários rebuscados e efeitos criativos.
Quando ele recebia os desenhos que deveria seguir, iniciava seu trabalho meticuloso e cheio de artimanhas. Muitas vezes acompanhei a dificuldade para criar cenários rebuscados como, por exemplo, uma praia, areia e conchas espalhadas, ou espuma e bolhas flutuando no ar, ou frascos de perfumes totalmente inclinados, como se estivessem apoiados só pelo cantinho do vidro. Cada uma delas era um novo desafio. Depois da colocação dos cosméticos, a minuciosa preocupação com luz, com reflexos e por aí vai.

Na verdade meu avô era realmente um artista. Não só esculpia suas fotografias, como era um excelente pintor. Os quadros que ele deixou, em óleo, guache e aquarela, são ricos em detalhes com pinceladas muito delicadas. Era como fazer uma fotografia com a ponta do pincel.
Tenho em casa algumas de suas obras, como esta ao lado, que ornam minhas paredes e mantém a lembrança daquele que foi meu segundo pai.
A grande coleção de fotografias que eu e meus irmãos temos de nossa infância são graças aos olhos azuis de nosso vô Arturo que não negava cliques.

E o gosto acabou nos contaminando. Meu pai, que durante muitos anos ficou no segmento de propaganda, chegou a trabalhar no estúdio com meu avô e até hoje é ótimo na câmera. Meu irmão do meio tornou-se também fotógrafo profissional, atuando no segmento da propaganda. E eu, desde os 16, também adoro levar minha máquina para registrar os momentos importantes. É uma pena que meu avô nem chegou a conhecer as máquinas digitais. Com certeza ele se esbaldaria com tanta tecnologia e com a nitidez de imagem no resultado. Mas, quem pode saber se, em outra dimensão, ele não está ainda fotografando anjos e nuvens...

21/01/2008

Ballem Sardana ?

No Brasil, o ritmo que mais personaliza nossa terra e chama atenção dos turistas é o samba. Mas na região da Catalunha, a dança que marca como símbolo da cultura e traz uma tradição bem antiga é chamada de sardana. Em Barcelona existe inclusive um monumento para reverenciá-la.
A sardana é uma dança de roda. Os participantes dão as mãos, que ficam levemente erguidas, e realizam os passos corretos, as vezes mais suaves, em outras, mais saltados, mas sem girar muito. O acompanhamento musical é feito por uma orquestra ao vivo, chamada de cobla (orquestra popular catalã de sardana).
A origem da dança é incerta, embora seja possível relacioná-la aos antigos gregos, já que a semelhança na forma de dançar é muito grande. Mas as referências mais concretas indicam que ela já existe desde o final do século XVI.
Quando estive em Barcelona em 1989, tive o prazer de participar de uma sardana. Garanto que é bem mais fácil que sambar! E não tem erro: na rua mesmo, numa praça em frente a Catedral, por exemplo, você entra e dança. Divertido e uma ótima oportunidade para fazer amigos.
Se na sua próxima viagem você resolver passar por Barcelona, e a oportunidade aparecer, nem pense em ter vergonha ou insegurança para experimentar. Corra o risco e tente. Não dá para perder um ótimo momento de descontração !

19/01/2008

Calhambeque Mágico

Você já imaginou ter uma carro que, além de bonito, flutua na água e voa? Um sonho, não é? Provavelmente isso foi uma das coisas que me encantou quando fui ao cinema ver Calhambeque Mágico (Chitty Chitty Bang Bang). Eu tinha oito anos e fiquei tão envolvida com o filme que acabei voltando para ver novamente. Mas é de se entender. É uma história cheia de fantasias, músicas agradáveis, dança e muita aventura que fez sucesso também com os adultos.
A parte fantástica do enredo é o conto que o viúvo (Dick Van Dike) narra aos seus filhos durante um piquenique. Uma aventura mirabolante na qual eles mesmos são os personagens principais que atuam heroicamente em um reino onde todas as crianças são prisioneiras. E o calhambeque é o astro dos momentos mais fantásticos, quando na fuga ele subitamente abre asas e pode voar, ou quando seus pneus viram bóias e ele flutua na água.
A história foi adaptada para o teatro e você pode ver detalhes neste site muito curioso, cheio de efeitos com barulho e desenhos.
Apesar da fita ser de 1968, ainda há a possibilidade de você matar a sua curiosidade e dar uma olhadinha no site oficial do filme.
Veja no vídeo a música tema do filme e o porquê do nome: o motor do calhambeque, enquanto anda, faz um barulho assim "chitty chitty bang bang".



17/01/2008

Sebo on line - boa alternativa

Que delícia é ler um livro interessante! Parece um bom passatempo. Na verdade, quem gosta de ler nem pensa que o gosto pela leitura é um auto-investimento. Se pudermos relacionar alguns de seus benefícios, eu diria: melhora nosso vocabulário, melhora nossa forma de falar, exercita o cérebro, mexe com nossa imaginação, informa, educa, mexe com sentimentos e emoções... Feliz de quem faz uso desta forma de aprendizado sem muito esforço.
Mas a gente tem que concordar que devorar livros não é pra qualquer um. Significa despesa e nem sempre o orçamento ajuda. Daí surge uma ótima opção: os sebos.
Mas e se o livro que você quer é muito específico e está difícil de achar? A solução pode estar na internet.
No final do ano eu fiz uma busca de preços dos livros mais antigos do Harry Potter. Meu caçula adora e quer completar a coleção. Esbarrei em dois portais de sebo. Uma ótima alternativa. Há opção de pesquisa por título, por autor, por tema. E você encontra sebos localizados em várias cidades, aumentando a chance de encontrar seu exemplar. Sem falar que o preço é bem mais econômico. Vale a pena.
www.estantevirtual.com.br e www.traca.com.br


15/01/2008

Tyrone Power em "A Marca do Zorro"

No meu tempo de criança, os filmes que passavam na televisão, à tarde, não eram nada parecidos com os de hoje. Eram produções da época dos grandes musicais ou até aqueles bem antigos, sem cor, que hoje em dia a gente não vê mais com tanta facilidade. Eu tinha loucura pelo mundo dos artistas de cinema. (E ainda é um assunto que ainda me fascina.) Tanto que cheguei a fazer uma espécie de álbum com fotos recortadas de revistas. Tinha Gene Kelly, Rita Hayword, Fred Astaire, Doris Day, James Stewart, Clin Eastwood, Elizabeth Taylor, Carmen Miranda, Clark Gable e muitos mais. Curioso que alguns artistas que conheci através da televisão eram mais do tempo da minha mãe (ou será da minha avó?)! Mas ainda assim, eu me empolgava com aquelas histórias românticas e leves, sem malícia e sem cenas fortes. (Do jeito que minha mãe ainda gosta...)
Portanto, é justo abrir um espaço no meu blog também para estes astros que viveram numa época muito anterior ao meu nascimento. Afinal, eles deixaram obras magníficas que enriqueceram a história do cinema (e distraíram minhas tardes).
Vou relembrar (ou será apresentar?) um ator que chamou minha atenção especificamente em um filme. Eu tinha uns nove anos e Tyrone Power encheu minha Tv de charme enquanto erguia sua espada no papel de Dom Diego de la Vega em "A Marca do Zorro". (Lembrando que este filme é de 1940! Sabe lá onde eu estava...)
Pelo que pesquisei, a versão anterior a este Zorro foi gravada ainda no tempo do cinema mudo (1920). Uma curiosidade que li na Wikipédia: este seria o filme que Bruce Wayne foi ver com seus pais no dia em que eles morreram e teria sido a inspiração para o surgimento do Batman.
E sobre Tyrone, pela foto a gente vê que era considerado um galã: tinha traços bonitos, lábios finos e olhos expressivos. Deixou um belo trabalho no cinema. Mas morreu muito jovem, aos 44 anos, de um enfarte fulminante, durante as gravações de um filme. Lendo sua biografia, descobri um fato marca a fatalidade. Seu grande desejo era ter um filho homem. Ele já tinha duas filhas do segundo casamento. Por pouco, Tyrone não realizou seu sonho. Seu terceiro filho, um menino, nasceu em Janeiro de 59, poucos meses após sua morte.
Se você quer ver mais, eu recomendo o site "tyrone-power.com" que traz muitas fotografias e fatos interessantes da vida deste astro.

13/01/2008

Superando com a Lambada

No final da década de 80, um ritmo tomou conta das rádios e virou uma verdadeira febre no Brasil: a lambada. Na época, eu enfrentava uma separação e passava por uma fase difícil. Precisava espairecer, buscar outros interesses e ocupar meu tempo com coisas boas. Curiosamente, a lambada veio sob encomenda e no momento certo. Seu ritmo alegre, jovial, que estimula dançar, mexer e requebrar me cativou completamente e passou a ocupar meus finais de semana. Participei de algumas aulas e até levei minha mãe junto. Foi muito divertido.
Das músicas que tocavam, o destaque estava para a banda Kaoma, que inclusive se apresentou em vários países, levando um pouco do nosso calor latino e incendiando as platéias.
Alguns conservadores diziam que a lambada era um tanto quanto ousada, que o esfrega-esfrega era abusado demais, que as meninas mostravam suas calcinhas nos rodopios e giros... Sinceramente, quem dança pelo simples prazer de dançar não pode ver malícia.
É uma pena que ela se foi. Hoje temos algo similar no zouk, uma lambada mais lânguida e com ritmo mais lento. De qualquer forma, ela marcou época e, particularmente, alegrou minha vida de uma forma muito positiva. Divirta-se relembrando comigo.

08/01/2008

Pais separados, boca calada!

Separação não é um assunto muito agradável. Mas já virou lugar comum. Há algumas décadas as pessoas separadas sofriam pelo preconceito e, principalmente as mulheres, eram mal vistas e de certa forma banidas do convívio com outros casais.
Meus pais se separaram em 1965, quando eu estava com apenas cinco anos. Eu não questionava muito aquela situação, até porque meu pai vinha diariamente nos ver. Mas eu sabia que ele e minha mãe não moravam juntos e não fazia muitas perguntas sobre isso. Naquela época, não era tão comum encontrar casos iguais ao meu, portanto este assunto eu excluía das conversas com minhas coleguinhas.
Durante os onze anos que estudei na mesma escola (Colégio Assunção), mantive uma amizade pura e fiel com minha querida Angela. Menina branquinha, com traços lindos de rosto, sardas e o cabelo igual ao meu: comprido e liso. Angê, como eu a chamava, e eu formávamos uma dupla inseparável. Éramos parceiras em brincadeiras e aprontamos algumas boas, nos divertíamos em festas e tínhamos um convívio intenso, freqüentando uma a casa da outra.
Mas somente na oitava séria, quando tínhamos em torno de quinze anos, tivemos coragem de assumir que nossos pais eram separados. Nem ela nem eu abrimos o jogo durante dez anos, com medo de ficar em desvantagem. Nem mesmo nossa fiel e profunda amizade foi suficiente para amenizar a vergonha e o incômodo de assumir os lares desfeitos, numa época em que o preconceito ainda reinava. E por fim, já um pouco mais maduras, ficamos aliviadas por contar nosso segredo. E, ao compartilhar da mesma dor, nos sentimos confortadas, o que acabou nos trazendo mais afinidade e cumplicidade.
E para provar que amizade rompe fronteiras, ainda hoje mantenho contato com Angela, por quem tenho muito carinho. São 42 anos em que, apesar de não nos vermos, entre uma ligação ou outra e alguns e-mails, nos fazemos presentes uma na vida da outra.
Mesmo se tornando fato corriqueiro, separação ainda não é assunto agradável. Eu mesma já precisei passar por isso duas vezes. Mesmo tendo sonhado manter uma relação duradoura. Mesmo querendo levantar a bandeira da família estável e segura, não foi possível mudar meu destino. Nem sempre as coisas acontecem da forma que gente planeja.
E o maior cuidado tem que estar na forma que se conduz os filhos. Toda criança ainda passa pela dolorosa fase de adaptação, pela sensação de perda e a dificuldade em aceitar. Mas, cabe a nós, mães e pais, fazer o máximo de esforço para continuar fornecendo um lar estável e seguro e preservar a importância e o sentido amplo da palavra família. A base de tudo. Espero, sinceramente, ter cumprido minha missão de forma adequada.

05/01/2008

Musicoterapia para todos!

Meu envolvimento com a música começou de forma mais interativa aos cinco anos, quando iniciei minhas aulas de violão (música popular). Sempre tive ouvido bom, de forma que afinação nunca foi problema.
No encerramento de final do ano, todos os alunos tinham que se apresentar. E eu fui escalada para tocar e cantar sozinha. Imagine só, lá na frente de todos os outros papais e mamães! E olhe só, além do medo, acabei enfrentando uma situação de saia justa. Quando chegou minha vez, sentei na cadeira do mini palco, preparei meus dedinhos sobre as cordas e arrisquei os primeiros acordes. Mas que horror!! O violão estava desafinado. Muito mesmo. Aquilo era um insulto para minha única apresentação. Eu me lembro que interrompi, instantaneamente, e falei: "está desafinado..." Você pode imaginar que situação... Não foi fácil. Claro que fiquei com vergonha. Mas o incômodo de suportar aquelas notas "tortas" era maior que tudo. Alguém prontamente pegou o instrumento, afinou direitinho e me devolveu para que eu pudesse prosseguir. Desta vez, orgulhosa com o resultado.
E, no decorrer da minha vida, tive também aulas de violão clássico e de órgão eletrônico. Hoje tenho um teclado, um amigo do peito, que fica à minha espera sem cobranças. Já não dedilho com muita freqüência e estou perdendo a prática. Mas jamais, em nenhuma hipótese, eu me desfaço dele.
Sem saber, toda a minha vida eu fiz bom proveito da musicoterapia. E a maioria das pessoas o faz de forma inconsciente. Seja escutando, seja tocando um instrumento, seja dançando ou cantando. A música é definitivamente uma energia benéfica ao nosso cérebro e à nossa alma.

Queria ilustrar esta postagem com um vídeo sobre órgão eletrônico, que considero um instrumento completo com o resultado de uma orquestra inteira. Para quem toca, é o instrumento que mais exige do cérebro. Repare nas mãos: esquerda serve para os acordes e acompanhamento, direita, para melodia. Muitas vezes, sobem rapidamente para os botões para modificar os sons, alternar instrumentos, criar novos efeitos. Os pés tocam o baixo. Alguns órgãos, como este, têm uma pedaleira de duas escalas e as vezes é necessário usar ponta e calcanhar para atingir as notas. Resumindo, significa tocar com os dois pés e as duas mãos ao mesmo tempo, mantendo o ritmo e ainda usar de muita criatividade. Fiquei muito feliz em encontrar os vídeos de Cristiano. Ele toca com muita segurança, como se o teclado fosse parte de seu próprio corpo. Ele me contou que toca há mais de vinte anos! Tenho certeza que, assim como eu, Cristiano tem um amigo do peito insubstituível. Veja e admire! Quem sabe você se anima a aprender?

Vídeo de cristianoelectone


02/01/2008

Patufet, on ets? (Patufet, onde estás?)

Patufet é um personagem de um conto muito popular entre os catalães e também conhecido em outros países europeus, com algumas variações. Ele é representado por um menino muito pequenininho (do tamanho de um polegar) que usa uma barretina grande (boina de lã, em geral vermelha, com uma barra preta, usada antigamente por marinheiros e hoje considerada também um símbolo catalão.)
Minha bisavó costumava narrar este conto para minha mãe, quando era pequena. E minha mãe, por sua vez, não consegue lembrar disso sem se emocionar bastante. Conheça então a versão popular do conto:

Patufet era filho de camponeses e, sendo um menino muito prestativo, gostava de ajudar seus pais. Um dia, sua mãe estava cozinhando e acabou o açafrão. Patufet disse que iria comprar, mas sua mãe respondeu:
-Não, Patufet. Você é muito pequeno, e é perigoso. Alguém pode pisar em você!
Mas ele insistiu tanto que sua mãe autorizou, desde que ele tomasse muito cuidado.
No caminho, para chamar atenção e não ser pisoteado, Patufet cantava:

"Patim, patam, patum, homes i dones del cap dret," (patim, patam, patum, homens e mulheres da cabeça erguida)
"patim, patam, patum, no trepitgeu en Patufet." (
patim, patam, patum, não pisem no Patufet).

Patufet conseguiu comprar o açafrão e voltou são e salvo e bastante feliz para casa, cantando a mesma canção. Logo que sua mãe acabou de fazer o almoço, preparou a cesta para para levar ao seu marido que trabalhava no campo. Novamente Patufet pediu para levar e insistiu tanto que sua mãe permitiu, desde que ele tomasse cuidado.
Então, todo feliz, Patufet seguiu em direção ao campo para levar o almoço de seu papai. Mas no meio do caminho, uma chuva forte começou a cair e ele, para se proteger, deitou embaixo de um repolho e dormiu. Quando a chuva parou, Patufet continuava dormindo profundamente. Então, veio um boi enorme, comeu o repolho e, junto, engoliu o Patufet.
As horas passavam e seus pais, vendo que ele não aparecia, saíram assustados pelo campo gritando:
- Patufet, on ets? (Patufet, onde estás?)
E Patufet, ouvindo seus pais, respondia:
- Sóc a la panxa del bou, que no hi neva ni plou! (estou na barriga do boi, onde não neva nem chove).
E assim, quando finalmente ouviram a voz de seu filho, seus pais começaram a dar muita comida para o boi, de forma que ele foi inchando, inchando, inchando, até soltar um pum enorme e... assim saiu o Patufet.

Agora que você já sabe como é conto, pode escutá-lo narrado em catalão. Acho que vai ser difícil entender alguma coisa, mas vale a pena para escutar a sonoridade diferente do catalão. www.cadrescatalans.com